A guerra encontra suas origens na declaração do imperador da abolição do xogunato de mais de duzentos anos e a imposição do comando direto da corte imperial. Movimentos militares das forças imperiais e atos de violência partidários ao império em Edo, levaram Tokugawa Yoshinobu, oxogum, a lançar uma campanha militar para controlar a corte imperial em Quioto.
A maré militar rapidamente mudou em favor da facção imperial, que era pequena mas relativamente modernizada, e após uma série de batalhas culminando na rendição de Edo, Yoshinobu pessoalmente rendeu-se. O remanescente do governo Tokugawa recuou para o norte de Honshu e posteriormente para Hokkaido, onde declarou uma nova república. Derrotados na Batalha de Hakodate, o último resquício do xogunato foi destruído, dando controle supremo ao império por todo o Japão, completando a fase militar da Restauração Meiji.
Cerca de 120 mil homens foram mobilizados durante esse conflito, e desses aproximadamente 3,5 mil foram mortos.2 No fim da guerra a vitoriosa facção imperial abandonou seus objetivos de expulsar estrangeiros do Japão e ao invés disso adotou uma política de contínua modernização com o objetivo de eventualmente renegociar os Tratados Desiguais com os poderes ocidentais. Os partidários dos Tokugawa foram poupados, devido à persistência de Saigo Takamori (um líder proeminente da facção imperial), e muitos dos antigos líderes xogunais foram presenteados com posições de grande responsabilidade no novo governo que se estabelecia.
A Guerra Boshin é testemunha do avançado estado de modernização que já havia sido alcançado pelo Japão nos catorze anos após sua abertura para o ocidente, o alto envolvimento de nações ocidentais (especialmente Grã-Bretanha e França) na política do país, e a instalação um tanto turbulenta do poder Imperial. Com o passar do tempo, a guerra foi romantizada pelos japoneses e outros que consideram a Restauração Meiji como uma “revolução pacífica”, apesar do número de baixas. Várias dramatizações da guerra foram feitas no Japão, e elementos do conflito foram incorporados no filme estadunidense de 2003, O Último Samurai.
Antecedentes
Desde 1840 as cidades espanholas de Ceuta e Melilla sofriam constantes incursões por parte de grupos marroquinos. A isto se unia constantes ataques às tropas espanholas em vários pontos, sobre tudo nos anos de 1844, 1845, 1848 e 1854, que apesar de reagir via os agressores se internarem no território marroquino para repetir as agressões pouco tempo depois. Após um ataque a um destacamento espanhol em agosto de 1859 Leopoldo O'Donnell, presidente do governo espanhol, exigiu do sultão do Marrocos a punição dos agressores, o que não ocorreu.
O'Donnell, homem de prestígio militar, que buscava a ampliação das bases de apoio ao governo da 'União Liberal', consciente que a imprensa reclamava uma ação decidida contra os ataques, propôs ao congresso de deputados a declaração de guerra ao Marrocos em 22 de outubro, depois de receber a anuência dos governos frances e inglês, apesar da reticencias deste último pelo controle do estreito de Gibraltar.
O desenrolar das operações
A reação popular foi unânime. A Câmara aprovou por unanimidade a declaração de guerra e todos os grupos políticos apoiaram a intervenção. Na Catalunha e no País Basco foram organizados centros de recrutamento de voluntários, aos que acudiram vários elementos carlistas, sobretudo de Navarra, em um proceso de efervescência patriótica que não acontecia desde a Guerra da Independência Espanhola.
Os objetivos fixados eram a tomada de Tetuán e a ocupação do porto de Tânger. Em 17 de dezembro começaram os combates com a coluna comandada por Zabala que ocupou a Serra de Bullones. Dois dias depois Echagüe conquistou o Palácio do Serrallo e O'Donnell se pôs a frente da força que desembarcou em Ceuta em 21 de dezembro. No Natal os três corpos de exército tinham consolidadadas suas posições e esperavam a ordem de avançar a Tetuán.
Em 1 de janeiro de 1860, o general Prim avançou até a desembocadura do Uad el Jelú com apoio do general Zabala e da armada espanhola que mantinha as forças marroquinas afastadas da costa.
Os combates continuaram até 31 de janeiro, quando foi detida uma ofensiva marroquina e O'Donnell iniciou uma marcha para Tetuán, apoiado pelos voluntários catalães com a cobertura dos generais Ros de Olano e Prim nos flancos. Sob pressão da artilharia espanhola as fileiras marroquinas se desorganizaram e se refugiaram em Tetuán, que caiu em 6 de fevereiro.
O objetivo seguinte era Tânger. O exército, reforçado pelas unidades voluntárias bascas, por volta de dez mil combatentes desembarcados no mês de fevereiro, estavam prontos para a ofensiva em 11 de março. Em 23 de março aconteceu a batalha de Wad-Ras, vencida pelos espanhóis e que forçou o pedido de paz do Muley Abbas marroquino. Depois de um período de armistício foi firmada a paz em Tetuan em 26 de abril, devendo Espanha, por causa das pressões inglesas, devolver Tánger e Tetuán, apesar de ter ampliado suas possessões em torno de Ceuta e Melilla.
O Conde D'Eu participou dos combates, do lado espanhol, como oficial subalterno. A experiência granjeada nesta guerra levou a que fosse escolhido como comandante das tropas brasileiras na etapa final da Guerra do Paraguai, já que era o único membro da família imperial com experiência em combate.